terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Lugar de Sol


Já fora de trigo e papoilas
o lugar…
De junhos e girassóis
de risos, ribeiros, fontes…
De segredos: 
debruçavas-te sobre eles,
para que encostassem
o ouvido à tua boca
e descobrissem o tom do teu falar.

Um lugar de Sol pouco, hoje,
pousio e tardança, 
inesperada detenção do vento
a mostrar que na transparência 
às vezes faz frio. 
Nenhuma tristeza, porém,
que a alegria não iguale.

Quotidiano...
Um lugar quotidiano, apenas,
as horas esparsas derramadas
em fluída navegação, 
cujas águas  
não atingem a altura do poema.

Talvez só dezembro,
o aroma dolente de dezembro
possa trazer o tumulto 
das palavras que 
involuntariamente
se deixam fascinar
pelo silêncio.



Lídia Borges

(Caras Ionut / digital-art)