segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Retorno


         

         Depois recuámos lentamente até aos ínfimos lugares de paz, dentro de nós. E ficámos a morar neles como na casa de infância, repartidas que foram as palavras, as estrelas, os abraços, as histórias...

          Precisamos então de outra luz mais mortiça, do recorte de um porto qualquer feito de súbitas urgências. Mas, ainda que entre névoa, queremos distinguir ao fundo o esboço de uma jangada, de um bote, um vento à vista que nos fará partir de novo. Sabemo-lo bem, embora, repetidamente, digamos a nós próprios que a ilha que encontrámos é essa, a mesma que, na madrugada da partida, marcámos no mapa com um X; a terra das nascenças e dos desígnios cumpridos... Que mais não sei, não quero, não posso!



Com o meu agradecimento
a tantos.

Lídia Borges