Vladimir
Kush
Vendo a bom preço
nuvens pequenas e grandes
nuvens pequenas e grandes
de cores e formatos diversos.
Não é bom ficar atado
a ventos sempre dispersos.
Vendo os ninhos que
ficaram
nos ramos dos limoeiros
e o conjunto de duendes
que cuidaram dos canteiros.
Não se pode desprezar
braços que foram obreiros.
Vendo os caracóis do muro
e a coleção de catos,
as estrelas que no pátio
desfaziam o escuro.
Não se pode deixar tudo
ao relento a definhar,
não estivesse o futuro
sempre a tempo de voltar.
sempre a tempo de voltar.
Vendo a lua e o luar.
Quem disse? - Não eram teus.
Eram, pois! Assim os sentia
meu coração deslumbrado
quando nos ombros me caíam,
manto de cambraia rendado.
Vendo os livros, as pinturas,
a rã de barro, a relva,
o rosmaninho,
vendo tudo a bom preço
que é hora de hibernar.
Não quero deixar desperdícios
pelo caminho, a errar.
***
Não quero deixar desperdícios
pelo caminho, a errar.
***
Quem me compra o girassol
não o podendo eu salvar?
não o podendo eu salvar?
Quem quiser levá-lo agora
deve ter para pagar
um verso breve de sol,
uma intenção de [a]mar.
Lídia Borges
Lídia Borges
