Entro
outra vez numa livraria, contrariando meus propósitos. Tinha prometido a mim
mesma que não o faria tão cedo, depois de ter adquirido mais uns tantos livros, que garantem leituras novas por uns três meses, no mínimo. Mas, ali
estava eu, diante da estante da Poesia que é sempre onde mais me demoro, a
ver-me pasmar. O pior é quando um deles (dos livros) vem “à traição” colar-se-me às
mãos e por mais que as sacuda, ele não se desprende, não arreda nem um
milímetro, o que me deixa sem outra alternativa que não a de o trazer comigo, encostado ao peito, com medo de o perder antes de poder devorá-lo. Depois... é isso mesmo: devoro-o de um só fôlego. A este ritmo, não será tão cedo que vou conseguir poupar em livros –
penso. Mas... este foi, mais ou menos, como a cortisona “de longo prazo” que o médico me
prescreveu para o ombro direito que não parava de ganir, o cachorro! Vai
fazendo efeito lentamente, um pouquinho agora, outro mais tarde e por aí além… Assim, este “frentes de fogo” cuja leitura que me aconteceu já há uns dias, não me sai da cabeça. Dou comigo a repetir versos soltos, mentalmente. São versos que me leem como se me conhecessem, por dentro. Depois há o “Mister
P”, o sacana!... Quem é?!... Descubra você. Não será difícil se lhe disserem que se
comporta como aquele parente inesperado que veio de longe, alojou-se no quarto
das visitas, calçou as pantufas, serviu-se do que encontrou no frigorífico. Aos
poucos, tomou conta de toda a casa e depressa se colocou na posição de dono e senhor, começando peremptoriamente a dar ordens que cumprimos, obedientes. Pudera, Mister P não brinca: tem um
chicote. Está a ver?
Com
todo o respeito, Mister P,
deixe
que lhe diga, Mister P:
Vossa
Excelência, Mister P,
é um bom filho da puta.
a.m.
pires cabral, (p.85)
Pensa
em mim
como
uma escada sem sentido ascendente.
Sempre
a descer.
a.m.
pires cabral, (p.78)
O
filho dessa, com todo o respeito.