domingo, 19 de janeiro de 2020

"frentes de fogo"



Entro outra vez numa livraria, contrariando meus propósitos. Tinha prometido a mim mesma que não o faria tão cedo, depois de ter adquirido mais uns tantos livros, que garantem leituras novas por uns três meses, no mínimo. Mas, ali estava eu, diante da estante da Poesia que é sempre onde mais me demoro, a ver-me pasmar. O pior é quando um deles (dos livros) vem “à traição” colar-se-me às mãos e por mais que as sacuda, ele não se desprende, não arreda nem um milímetro, o que me deixa sem outra alternativa que não a de o trazer comigo, encostado ao peito, com medo de o perder antes de poder devorá-lo. Depois... é isso mesmo: devoro-o de um só fôlego. A este ritmo, não será tão cedo que vou conseguir poupar em livros – penso. Mas... este foi, mais ou menos, como a cortisona “de longo prazo” que o médico me prescreveu para o ombro direito que não parava de ganir, o cachorro! Vai fazendo efeito lentamente, um pouquinho agora, outro mais tarde e por aí além… Assim, este “frentes de fogo” cuja leitura que me aconteceu já há uns dias, não me sai da cabeça. Dou comigo a repetir versos soltos, mentalmente. São versos que me leem como se me conhecessem, por dentro. Depois há o “Mister P”, o sacana!... Quem é?!... Descubra você. Não será difícil se lhe disserem que se comporta como aquele parente inesperado que veio de longe, alojou-se no quarto das visitas, calçou as pantufas, serviu-se do que encontrou no frigorífico. Aos poucos, tomou conta de toda a casa e depressa se colocou na posição de dono e senhor, começando  peremptoriamente a dar ordens que cumprimos, obedientes. Pudera, Mister P não brinca: tem um chicote. Está a ver?

Com todo o respeito, Mister P,
deixe que lhe diga, Mister P:

Vossa Excelência, Mister P,
é um bom filho da puta.

a.m. pires cabral, (p.85)

Pensa em mim
como uma escada sem sentido ascendente.
Sempre a descer.

a.m. pires cabral, (p.78)


O filho dessa, com todo o respeito.