Em tempo de guerra, de crises, vê-se melhor o que, noutros
períodos, ditos de normalidade, passa despercebido aos olhos da maioria das
pessoas, empenhadas no corre-corre do quotidiano. Em tão pouco tempo, este que
vivemos no medo, sob o peso terrível de uma ameaça sem rosto, já se puderam
observar, por cá, exemplos de grande solidariedade, de altruísmo, de espírito
de entreajuda, de amor ao próximo, de dádiva, de reconhecimento, de
agradecimento... Derrubadas as barreiras da desconfiança, da dúvida, que nos
habituámos a ponderar, comovemo-nos profundamente e acreditamos, outra vez, que
no coração dos homens ainda é possível o amor - nada está perdido,
ainda - pensamos crédulos, com uma alegria-menina a percorrer-nos o sangue.
Somos invadidos por um sentimento doce que nos acarinha, nos acalma, nos
fortalece individual e coletivamente.
Mas...p'ra que me havia de dar: olhar para o outro lado. Depressa a comoção dá lugar ao espanto, à indignação pela crueldade de um certo "salve-se quem puder" sem pudor, verdadeiramente hediondo, que exposto (como uma coberta à varanda em dia de procissão), revela a desumanidade toda que pode caber dentro de um corpo sem alma, sem coração. Engole-se em seco e... e...
Exemplos?! Não são exemplo.
Mas...p'ra que me havia de dar: olhar para o outro lado. Depressa a comoção dá lugar ao espanto, à indignação pela crueldade de um certo "salve-se quem puder" sem pudor, verdadeiramente hediondo, que exposto (como uma coberta à varanda em dia de procissão), revela a desumanidade toda que pode caber dentro de um corpo sem alma, sem coração. Engole-se em seco e... e...
Exemplos?! Não são exemplo.
Lídia Borges
