terça-feira, 17 de março de 2020

Levo um livro


(pintura: Kevin Hill)


Dirijo-me para o pátio
enquanto não se levanta
o vento.
Vou apanhar ar,
algumas flores, talvez.

Levo um livro.
Não tenho olhos nem ouvidos
para gramáticas absolutamente
exteriores,

sereias que são
perdidas do canto,
corpos viscosos, deformados
escorregando pelas rochas.
Palimpsesto, seu mar. De algas.

Não faltam deuses embriagados
pelos caminhos terrestres.

Estou em casa.
Só a interioridade
verdadeiramente me cativa 
e me liberta.


Lídia Borges