(Duy Huynh)
Vou por estes dias
desatenta e transparente
e não sinto nada
que seja unicamente meu.
Não sinto nada.
Desmaiadas as flores
e a palavra
longínqua como um barco
na penumbra.
Não vi de que noite
de que cais
de que sonho interrompido
o barco partiu
para as vagas medonhas
deste mar.
Uma corda invisível
ata a fala ao silêncio,
um nó de marinheiro
que na garganta seca.
E estes olhos meus
enamorados das palavras
continuam
a rasgar buracos no escuro
à espera de pressentir a alba
do dia por nascer.
Lídia Borges
