terça-feira, 14 de abril de 2020

DE TEMPOS A TEMPOS




De tempos a tempos o Tempo
não passa de um uivo sinistro
sirene de alarme num ermo
por dentro de nuvens um grito

De tempos a tempos o Tempo
clamando que nunca existiu





David Mourão-Ferreira (2019:p.625), Obra Poética (1948-1995).




(imagem s/ ind, autoria)