I
O fim-de-semana passou. Depressa por sinal. Não interessa se as
articulações ardem como se estivessem prestes a incendiar-se ou a dar flor.
Dar flor deve ser este frenesim, este alvoroço surdo de seiva e fogo, imagino
eu. Não interessa. Interessa que sobrevivi, mais uma vez. Consegui fazer por ti o que já não podes fazer por ti. Tudo. Amanhã
a dona Maria virá, de novo, para mais uma semana de trabalho. Ficarei mais liberta
para as minhas coisas; as minhas coisas de ler, de escrever, de pintar, as
minhas coisas de perscrutar o mundo. Provavelmente amanhã, a esta hora, estarão
menos rígidas as articulações que hoje me doem. Será a vez da alma se desarticular
e reafirmar sem equívocos, espero eu, a sua invisível corporalidade.
II
Gostava muito de ir ver-vos.
Fazer aquela viagem que preparámos meticulosamente, no encalço das tulipas, dos moinhos, aquele nosso encontro, a meio caminho, para nos vermos uns aos outros, para nos abraçarmos como nos prometemos no Natal. Saída, dia 8 de Abril. Destino, Haia. Não, não é necessário arejar as malas.
Fazer aquela viagem que preparámos meticulosamente, no encalço das tulipas, dos moinhos, aquele nosso encontro, a meio caminho, para nos vermos uns aos outros, para nos abraçarmos como nos prometemos no Natal. Saída, dia 8 de Abril. Destino, Haia. Não, não é necessário arejar as malas.
Vemo-nos no Skype, no WhatsApp, amanhã,
como hoje, como ontem.
Vemo-nos. Temo-nos.
