O que escrevo
quase nunca é um poema,
que não o vestem
sedas nem tafetás.
Nem possuo, como os poetas,
à face das mãos,
o aroma morno das maçãs.
E, se ao amanhecer planto
sóis e assombros,
é certo que
esmagarei lírios ao deitar.
O que escrevo
é só um jeito meu de falar
para que seja o pensamento
mais próximo do escutar.
E o poema que não se
escreve
no tom das teclas que bato,
parece ser chuva que baste
à boca da minha sede,
a sede que nunca mato.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest)
