pintura:Vladimir Kush
Quando ao fim da tarde tornavas a casa
era em sombrios estremecimentos
que atravessavas a velha cangosta.
A fúria do vento pelas costas
a chuva gelando surdos temores.
O peso dos livros que não pesavam
a noite a cair a passo ligeiro...
de longe já pressentias o cheiro
das roupas secas
em mãos amorosas que amimavam.
A ceia servida, os medos contidos
e era de novo o abrir dos livros
até que o sono quebrasse a vontade
e os sonhos fossem enfim
liberdade.
Lídia Borges (2019:p.52), Garças,
Poética Edições
