Dou com os corpos
suspensos, sonolentos,
iguais ao húmus de lagos
distantes. Solitários.
De que prisões
de que amarras
de que sedes
se libertam assim os corpos
sem que o percebamos?
Acreditamos em hinos,
por vezes,
em grandes amores,
viagens,
consumimos literatura, matéria insólita,
acreditamos em gigantes e duendes,
em boas vontades,
em mudanças, em lições,
enquanto, invariavelmente,
somos mais e mais fechados em nós,
a sós.
Só a poesia me reclama
Só a poesia me declama
Só ela, sóis e luas,
pedras, moinhos, ventos, águas...
Só a fala poética me reza
inauditos vestígios do porvir
trilhos invisíveis no fascínio dos limos
e dos passos que não sei.
e dos passos que não sei.
Lídia Borges
