Fico assim, entre um verso e
outro, suspensa,
a pensar em ti.
Vejo o teu sorriso
lindo abrir-se. Dádiva em flor.
Tão perto,
mas não o posso tocar,
tão doce, mas não o posso
provar
tão terno, mas não o posso
ameigar.
Fico assim, entre um passo e
outro,
suspensa, a pensar em ti,
nos beijos em bando que atiras
com as duas mãos abertas,
tantos, que não cabem na exígua janela
por onde te amo e te bebo
em golinhos sempre pequenos
para a minha sede.
Quando fico assim, entre um gesto e outro,
suspensa, a pensar em ti
suspensa, a pensar em ti
percorre-me um frio, um susto, um medo:
o de seres
sem me conheceres com as
mãos
sem que eu te conheça com as
mãos,
com o colo todo. Com o
coração
que vacila a cada clique
que apaga no ecrã a tua imagem.
Quão apertado pode ser
o teu abraço, agora?
Quanto medirá uma birra tua?
Quanto doerá a lágrima
depois de um tombo?
Quantas estrelas
se acenderão à noite
nos teus olhos ensonados?
Que farei com o espaço que sobra
no lugar onde te quero tanto?
Repassada pela tristeza de
te ter
sem te ter, fico assim, suspensa,
paredes meias com o silêncio,
a pensar em ti,
a pensar em ti,
a pensar em
ti...
Lídia Borges
(Ao João
Matias)
