Depois de um fim de tarde, ontem, no
quintal da Livraria "Centésima Página", (onde se passeavam,
descontraídos, mas atentos dois gatos) passado numa gratificante conversa com outros autores, a propósito do papel
da literatura, em tempos de pandemia, no âmbito da Feira do Livro – Braga 2020, regresso, hoje, para junto do mar, bem
cedinho, como mais gosto. A sensação é a de estar numa ilha deserta, intocada,
intocável por praga, peste ou dor. Quero respirar a utopia toda desta manhã
(primeira?), momento eterno. Pensar, (depois de sorvido todo o ar que os
pulmões podem comportar), que vim ao mundo com um rótulo no pulso onde se
lia - Ser Social e, como tal, condenada, à nascença, a ser
corrompida e assolada por virtudes e vícios. E, em pacote suplementar, (presente envenenado?) a possibilidade de possuir, de cada ato, uma consciência plena.
Louváveis são as coisas belas,
censuráveis, as vergonhosas.
***
Uma hora mais tarde, quando já me dirigia a casa:
A primeira:
- Não quero jogar mais...
A segunda:
- Eu quando ganho, às vezes, também fico
triste.
- Triste, quando ganhas? Porquê?
- Porque tu perdes.
...
A primeira:
- Vamos lá jogar.
Era o jogo do galo, na areia. Três
conchinhas brancas contra três pedrinhas encarnadas.
Elas, gémeas, iguais de ponta a ponta, teriam uns quatro ou cinco anos.
As coisas que as crianças sabem!...
