quinta-feira, 9 de julho de 2020

Não quero jogar mais

    
Depois de um fim de tarde, ontem, no quintal da Livraria "Centésima Página", (onde se passeavam, descontraídos, mas atentos dois gatos) passado numa gratificante conversa com outros autores, a propósito do papel da literatura, em tempos de pandemia, no âmbito da Feira do Livro – Braga 2020, regresso, hoje, para junto do mar, bem cedinho, como mais gosto. A sensação é a de estar numa ilha deserta, intocada, intocável por praga, peste ou dor. Quero respirar a utopia toda desta manhã (primeira?), momento eterno. Pensar, (depois de sorvido todo o ar que os pulmões podem comportar), que vim ao mundo com um rótulo no pulso onde se lia - Ser Social e, como tal, condenada, à nascença, a ser corrompida e assolada por virtudes e vícios. E, em pacote suplementar, (presente envenenado?) a possibilidade de possuir, de cada ato, uma consciência plena.  
Louváveis são as coisas belas, censuráveis, as vergonhosas.

***

Uma hora mais tarde, quando já me dirigia a casa:

           A primeira:
- Não quero jogar mais...
A segunda:
- Eu quando ganho, às vezes, também fico triste.
- Triste, quando ganhas? Porquê?
- Porque tu perdes.
...
A primeira:
- Vamos lá jogar.

Era o jogo do galo, na areia. Três conchinhas brancas contra três pedrinhas encarnadas.
Elas, gémeas, iguais de ponta a ponta, teriam uns quatro ou cinco anos.

As coisas que as crianças sabem!...