sexta-feira, 23 de outubro de 2020

"deixa-te de ilusões, Mário"

                                                                                                  (imagem: pesquisa Google s/ ind. autoria)

Não sei onde ele se refugia o ano inteiro.

Creio que se dedica a amolar facas e tesouras

Pode ser que escreva flores nalgum canteiro.

 

Não sei de que chão de que lavouras…

Mas, ao pranto primeiro do Sol, ei-lo rua adentro

Tão certo como investidas do vento.

 

Empurra a caranguejola, [deixa-te de ilusões, Mário]

Na boca a concertina.

Um sobe e desce do som a bulir com a cortina.

 

Nem sempre varetas quebradas

Nem sempre tesouras, facas mal afiadas,

Mas o homem dos guarda-sóis

 

traz das tranças a lembrança

e um murmúrio de girassóis

antes da chuva entrar na dança.


E canta, assobia como um rouxinol.

Convém-lhe esconder o Sol. Traiçoeiro,

este ilustre guarda-soleiro.



 

 

Lídia Borges