Não sei onde ele se refugia o ano
inteiro.
Creio que se dedica a amolar
facas e tesouras
Pode ser que escreva flores
nalgum canteiro.
Não sei de que chão de que
lavouras…
Mas, ao pranto primeiro do Sol, ei-lo rua adentro
Tão certo como investidas
do vento.
Empurra a caranguejola, [deixa-te
de ilusões, Mário]
Na boca a concertina.
Um sobe e desce do som a bulir
com a cortina.
Nem sempre varetas quebradas
Nem sempre tesouras, facas mal afiadas,
Mas o homem dos guarda-sóis
traz das tranças a lembrança
e um murmúrio de girassóis
antes da chuva entrar na
dança.
E canta, assobia como um rouxinol.
Convém-lhe esconder o Sol. Traiçoeiro,
este ilustre guarda-soleiro.
Lídia Borges