Para haver rio
tem de haver
árvores duríssimas; sabor
de metal nos ramos: equilíbrio
no fogo: antes, depois
das trocas primitivas;
rede coando
como filtros
a consciência a transferir-se,
a seiva neutra
donde nasce o álamo
de pedra; e a noite,
pedra também, mas rarefeita
na sua lactescência.
Carlos de Oliveira, Trabalho Poético (2003:p.312).
