Chove, mas acontece que eu penso quase sempre com o coração, (não há volta a dar), e no coração grassa, hoje, uma claridade que nada tem a ver com a meteorologia das últimas horas. É uma "coisa boa" que dispensa outro nome porque, contrariamente ao que se diz, há coisas que existem sem necessitarem de uma única palavra. É um halo de candura que vem de ti. E me é tão misteriosamente interior. Por vezes, penso que, se eventualmente não tivesses ido construir o teu ninho nesse país longínquo, de paisagens geladas, de duendes e fadas, talvez nem soubéssemos bem, eu e tu, quanto o estar próximo nos é caro. É que a distância e a proximidade, como bem sabes, minha filha, nem sempre estão sujeitas à redutora medição dos quilómetros.
(Amo-te, Flor. Até já)

