Tojos arnais, vejo somente
como um dia Torga os cantou
quando o desconcerto do mundo
de espinhos o coroou.
Flores? Quem pensa nelas?
Nem mesmo as camélias,
se o dom de sentir lhes fosse dado
nem elas
ousariam florir, pálidas, singelas.
nas sílabas de novembros malfadados.
Febres, ofensas, feros
brados
e a seda das pétalas desfiada
nos gumes acesos dos cardos.
Tojos arnais
coroas de espinhos em flor
e nada mais.
Lídia Borges
