I
Sob um velho carvalho que cobrira
completamente
o chão de folhas secas e bolotas, brincávamos,
tirando proveito do passeio diário
pela floresta.
"Pokelós, pokelós… Muitos pokelós!"
exclamava com as mãozinhas cheias de
bolotas.
Julguei ser do norueguês a palavra,
mas logo me esclareceram.
Que não, que era antes do “bebelês”
lá da terra, já que "eikenøtt"
é a palavra para bolota
naquela rebuscada Língua.
II
Bo…lo…tas,
soletrei como quem não quer nada,
muitas bolotas!
Os olhos fixaram-me,
suspensos naquelas sílabas,
curiosos, inquiridores.
Foi só um momento,
depressa voltou à alegria
da recolha dos seus pokelós.
Hoje:
"Come" vovó,
a mão pequenina estendida
querendo entrar no ecrã
vamos "panhar poke…" - pausa -
"pokelós, naaão".
O indicador erguido a mostrar o não.
"Bo…lo…tas!"
...
"Come", "come" vovó!
Lídia Borges
