sábado, 21 de novembro de 2020

"POKELÓS"


I 

Sob um velho carvalho que cobrira completamente

o chão de folhas secas e bolotas, brincávamos, 

tirando proveito do passeio diário

 pela floresta.

"Pokelós, pokelós… Muitos pokelós!"

exclamava com as mãozinhas cheias de bolotas.

Julguei ser do norueguês a palavra,

mas logo me esclareceram.

Que não, que era antes do “bebelês”

lá da terra, já que "eikenøtt"

é a palavra para bolota

naquela rebuscada Língua.

 

II

Bo…lo…tas,

soletrei como quem não quer nada,

muitas bolotas!

Os olhos fixaram-me,

suspensos naquelas sílabas,

curiosos, inquiridores.

Foi só um momento,

depressa voltou à alegria

da recolha dos seus pokelós.


Hoje:

"Come" vovó,

a mão pequenina estendida

querendo entrar no ecrã 

vamos "panhar poke…" - pausa -

"pokelós, naaão".

O indicador erguido a mostrar o não.

"Bo…lo…tas!"

...

"Come", "come" vovó!

 

 

Lídia Borges