quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Para lá do arame farpado

 

(Higanbana, a flor da morte, pesquisa s/ ind, autoria)


Eles não sabem o peso aterrador de um silêncio

por sobre o que sobrou dos fornos, dos carris da morte...

Em Auschwitz e Birkenau, charcos de sangue marcam o chão

e os pássaros deixam o ar para as vozes 

em consternadas orações. Não mais que murmúrios

que o vento gelado espalha como quem pede perdão.

Para lá do arame farpado as bétulas,

tomadas de sombra e de espanto,

choram ainda. 

 

Mas eles não viram, não ouviram, não leram. 

Eles podem ignorar?


Lídia Borges