(imagem: Anne Packard)
Ainda hoje não escutei os pardais.
Nem os vi passarinhar a luz
que cobre de
prata todas as paisagens
do inverno.
Há no comparecimento dos pardais
um verde novíssimo
sempre prestes a abrir uma porta à primavera.
Ao invés, na sua ausência,
saem-me as frases rígidas.
Matéria de gelos boreais
em que mal me vislumbro.
Deste modo
ainda acabarão
por me enterrar
à parte dos bucólicos.
Uma tremenda arbitrariedade
contra quem viveu absorto
desse mundo muito vivo.
Caprichos da própria natureza.
Lídia Borges
