sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Gente

                                                                                                                      (imagem-Leszek Sokol)

Gente que não necessita

de uma única palavra que brilhe.

Gente que ri confiante e falsa 

em plena noite de luto. O frio sobre os telhados

de quem ainda os possui.

 

Gente que não é planeta

e move-se em torno de uma estrela

de pontas negras e insidiosas. Porém, cintilante

no céu onde pairam apenas

parasitas.

 

Gente que não necessita de poemas,

bárbaros ou não,

o poema, uma espada de balão

esgrimida pelo palhaço triste,

desempregado.

 

Gente mínima no assalto aos pináculos

da presunção,

os pés sujos de lodo,

o sangue inocente nas mãos.

 

Gente que… 

Gente?...

Em volta, viçosas ervas daninhas

bailando como soturnas plumas

na floresta de todos os enganos.


Lídia Borges