(pintura: Ilya Ibrayev)
Sim, corremos esses e outros riscos,
a dispersão, a depressão, o esvaecimento.
Mas enquanto a pressentirmos,
enquanto nos tocarem seus dedos de seda,
não apenas sombras
pastoreamos,
também a certeza
de que, definitivamente,
nada é definitivo.
O que pastoreamos - vê as minhas mãos -
é a mudança. Incontornável
ainda que infunda naturais temores.
O inverno acabará
como tudo o que principia, finda.
Seus pássaros negros
tocam já ao
longe a trompeta do recolher.
Lídia Borges
