quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Poesia

 (pintura: Ilya Ibrayev)


Sim, corremos esses e outros riscos,

a  dispersão, a depressão, o esvaecimento.

Mas enquanto a pressentirmos,

enquanto nos tocarem seus dedos de seda,

não apenas sombras pastoreamos,

também a certeza de que, definitivamente,

nada é definitivo.

O que pastoreamos - vê as minhas mãos -

 é a mudança. Incontornável 

ainda que infunda naturais temores.


O inverno acabará 

como tudo o que principia, finda.

Seus pássaros negros

tocam já ao longe a trompeta do recolher.


Lídia Borges