segunda-feira, 1 de março de 2021

Aquém da chuva (I)


 

Já ninguém se lembra 

daquele fio de água cristalina 

que deslizava 

no interior dos sonhos de março.


Do real, só um severo abatimento

de pétalas [brevíssimas]

a doer mais que a pardacenta quietude

das promessas de fim do inverno,

aqui e ali, quebradas

como velhos cântaros de barro

arredados das fontes 

que eram.


Lídia Borges


(Foto minha, hoje, tm.)