(Water Lilies, 1895, Isaac Levitan)
Também de fugas se faz o poema
entre o possível lilás da urze
e a insanável soturnidade
de um céu vago de estrelas
Também de matéria mineral
se faz o poema e nele se deixa
a zunir contra o vento
o grito da ave, o uivo surdo da faca.
Não o situes, portanto
à mão de um lápis rombo
que o amoleça.
Melhor deixá-lo esmorecer
no leito ruidoso
de um silêncio
perdido de rédeas e margens.
Lídia Borges