(pesquisa s/ ind. autoria)
Subitamente interrompo a escrita
para indagar o estado de perturbação
em que se encontra.
Todas as letras desatadas do húmus,
uma mancha disforme a flutuar,
da lei da gravidade liberta.
No instante que antecede
a inevitável queda
agarro o equilíbrio por um fio farpeado
solto na inclinação brusca dos verbos.
Ah, esta mania de julgar
temperança, a viagem. E a vertigem, elevação.
Esta mania de permanecer assim
pobre de acontecimentos
e abastado de insignificâncias.
Pena que a imaginação esfrie
e o imaginador se deixe cair
em repetições e devaneios burlescos.
Um modo imprudente de trocar
o prazer do perfume de uma rosa
por um qualquer jardim pintado numa tela.
Lídia Borges
