sexta-feira, 9 de abril de 2021

Imprudências

(pesquisa s/ ind. autoria)
 

Subitamente interrompo a escrita

para indagar o estado de perturbação

em que se encontra.

Todas as letras desatadas do húmus,

uma mancha disforme a  flutuar, 

da lei da gravidade liberta.

No instante que antecede 

a inevitável queda

agarro o equilíbrio por um fio farpeado

solto na inclinação brusca dos verbos.

 

Ah, esta mania de julgar

temperança, a viagem. E a vertigem,  elevação.

Esta mania de permanecer assim

pobre de acontecimentos

e abastado de insignificâncias.

Pena que a imaginação esfrie

e o imaginador se deixe cair

em repetições e devaneios burlescos.

Um modo imprudente de trocar

o prazer do perfume de uma rosa

por um qualquer  jardim pintado numa tela.



Lídia Borges