Entra no poema pela porta
que range e estremece
e não perguntes por ti.
Pergunta antes - quem está
aqui pisando
este chão que piso?
O Eu é amarra. Não entres no poema
por esse lado. Dar-lhe uma forma por ti, para ti em nada te acrescenta.
Se insistes em procurar-te
não digas Eu que é inútil.
Pergunta apenas - quem me chama?
O poema fala.
Dir-te-á que nada tens a dizer de ti
ao outro.
Sossega, pois - o outro és
tu.
Lídia Borges
(imagem Pinterest, s/ ind. autoria)
