quinta-feira, 13 de maio de 2021

Em Maio



 I

Em maio

os campos exibem timbres impossíveis

à paleta dos homens

e os cânticos que os sobrevoam,

os cânticos que escutamos

de olhos fechados

e coração desperto para o frio das mãos,

são os que trazemos da voz das mães.

 

II

Em maio

há dias imbuídos de densas neblinas

e fartas carências

a ocultarem a luz dos campos ao longe

e a espalharem azulinos tons de neve

nos arrabaldes do sol dormente.


 III

Podemos, depois,

se levantarmos as pálpebras,

deparar com as cerejas à venda

na beira do caminho, como se sempre ali

tivessem estado sabendo que,

a dado instante,

daríamos tréguas à soturnidade

e abriríamos os olhos para elas.


IV 

Redondas e rubras adentram-se

em nossos pensamentos pálidos.


 Fazemos uma pausa para respirar.



Lídia Borges