I
Em
maio
os
campos exibem timbres impossíveis
à paleta dos homens
e
os cânticos que os sobrevoam,
os
cânticos que escutamos
de olhos fechados
e coração desperto para o frio das mãos,
são
os que trazemos da voz das mães.
II
Em
maio
há dias imbuídos de densas neblinas
e fartas carências
a
ocultarem a luz dos campos ao longe
e
a espalharem azulinos tons de neve
nos
arrabaldes do sol dormente.
Podemos, depois,
se
levantarmos as pálpebras,
deparar
com as cerejas à venda
na
beira do caminho, como se sempre ali
tivessem
estado sabendo que,
a dado instante,
daríamos
tréguas à soturnidade
e
abriríamos os olhos para elas.
Redondas
e rubras adentram-se
em
nossos pensamentos pálidos.
Lídia Borges
