sexta-feira, 21 de maio de 2021

Uma Jangada

(imagem:Duy Huynh)

 II

 Se alguém, vendo-te por aí a rir, sem motivo aparente,

vier contar-me que enlouqueceste,

dir-lhe-ei que sim,

que amealhaste zunidos, cintilações, chilreios

e tudo o mais que existe timbrado de azul.

Dir-lhe-ei que és feliz.

 

Que abarcas o mundo,

a cada passo, a cada gesto, a cada verso

a cada sílaba…

 

e me levas contigo.


Lídia Borges (2021:p.72), Que farei deste azul que me beija, Poética, Grupo Editorial.