O meu humilde contributo para a Antologia Água Silêncio Sede, obra comemorativa do centenário de Maria
Judite de Carvalho (nascida a 18 de Setembro de 1921), recentemente lançada na Feira do Livro de Lisboa.
Um cheiro a mar verde-pálido,
de
algas soltas, sem raízes[...]
Maria Judite de Carvalho.
Cais
E um pedaço de inquietude,
os olhos acorrentados ao real,
outra vez.
A rua, uma forma
inverosímil
de fazer florir o vento
na frágil haste de um verbo
de sol.
Um pedaço de inquietude,
um presságio de
papoilas,
um rumor roxo de urzes,
algumas algas sem
raízes,
um cheiro a mar
verde-pálido
a insinuar, na ampla
absorção
dos pulmões,
a fugacidade do que é
feito
para ser instante,
apenas,
não itinerário.
Encalhados
são os barcos, os
impulsos
os homens, as marés
e os monólogos sem fim
com que se estilhaça
um pensamento de água,
para lá do olhar.
Lídia Borges
