Por vezes, acontece deste modo: as palavras de ontem, relidas hoje, vêm carregadas de significados novos que nos abrem novos caminhos de identificação. Ou deverei dizer de compreensão?
Ainda que a poesia da autora não me seja, de todo, indiferente, tenho de confessar que é na prosa, límpida e exata prosa, que mais
me deixo envolver. Uma voz e um olhar atentos à realidade das mulheres, não só
da época a que se reportam as narrativas, mas de todas as épocas, pois, se há
coisas que mudam e melhoram, outras há que tardam a tomar rumo, como se a
mulher emancipada, neste caso, constituísse uma ameaça num mundo e numa literatura dominados (ainda)
pelo masculino.
O obra de Maria Judite de Carvalho merece, por inteiro, a atenção de que finalmente parece estar a ser alvo.
Na foto, um poema de Maria Judite Carvalho do livro A Flor que havia na água parada, inserido no V volume de Obras Completas, Minotauro, (2019).
Lídia Borges
