sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Macacos me mordam...




 A quanto obriga 

o desejo oculto de ser foice 

em seara de trigo?











São como ilhas virgens degeneradas.

Há muito o pressinto e observo.

A todas as horas os olhos postos no mar largo

à espera de serem arrancados à insignificância

que lhes morde os pés como sapatos curtos.

 

Riscam na praia sucessivos SOS(s)

com letras garrafais 

ao mesmo tempo

que tecem insultos a tudo o que mexe em volta.

 

Para a Paciência perderam a paciência,

perderam a palavra para o riso, para o sol,

para a alegria.

Preferem-se macacos de (des)imitação,

de liana em liana, desacato, pedra, agressão.

 

Invadem as aldeias alheias.

Levam archotes de escuridão

e saqueiam quanto

lhes possa ser fermento, conduto e pão.

 

Guerrilheiros da frustração sem Causa, 

sem dama nem ama para defender. 

A vida chão de morrer.

Sentirão em algum momento

o cheiro dos barcos no horizonte?

Saberão alguma coisa de si próprios

estes macacos de insubordinação 

forçada?


E da música?

Nada. Nada.


Lídia Borges