A quanto obriga
o desejo oculto de ser foice
em seara de trigo?
São
como ilhas virgens degeneradas.
Há
muito o pressinto e observo.
A
todas as horas os olhos postos no mar largo
à espera de serem arrancados à insignificância
que lhes morde os pés como sapatos curtos.
Riscam
na praia sucessivos SOS(s)
com letras garrafais
ao mesmo tempo
que
tecem insultos a tudo o que mexe em volta.
Para a Paciência perderam a paciência,
perderam
a palavra para o riso, para o sol,
para a
alegria.
Preferem-se
macacos de (des)imitação,
de
liana em liana, desacato, pedra, agressão.
Invadem
as aldeias alheias.
Levam archotes de escuridão
e
saqueiam quanto
lhes
possa ser fermento, conduto e pão.
Guerrilheiros da frustração sem Causa,
sem dama nem ama para defender.
A vida chão de morrer.
Sentirão
em algum momento
o cheiro
dos barcos no horizonte?
Saberão alguma coisa de si próprios
estes macacos de insubordinação
forçada?
E da música?
Nada. Nada.
Lídia Borges
