Tens o ar amigo de um guardador de sóis
de um varredor de agrestes ventos,
visionário com clara inclinação
para amansamento de amanhãs.
Não sei se tudo isso é leveza de espírito
ou peso de imponderada lhaneza.
Sei que não ousa o coração
contestar perceções de feição tão sã.
Seria um extravagante desperdício de luz
agora que a sombra mina os dias
já na peugada das névoas de novembro.
Amanhã, à hora do recolhimento das aves,
estarei aí contigo. Seremos então presente
não obstante o despropósito
dos tempos verbais nesta estrofe
instalados.
Lídia Borges
