quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Amanhã


 Tens o ar amigo de um guardador de sóis

de um varredor de agrestes ventos,

visionário com clara inclinação

para amansamento de amanhãs.

Não sei se tudo isso é leveza de espírito

ou peso de imponderada lhaneza.

 

Sei que não ousa o coração

contestar perceções de feição tão sã.

Seria um extravagante desperdício de luz

agora que a sombra mina os dias

já na peugada das névoas de novembro.

 

Amanhã, à hora do recolhimento das aves,

estarei aí contigo. Seremos então presente

não obstante o despropósito

dos tempos verbais nesta estrofe 

instalados.


Lídia Borges