domingo, 10 de outubro de 2021

Buganvília III

 I

Lá vai ela. Cresce,

estende folhinhas trémulas no ar 

feliz de estar ali.

Celebra as raízes que a suportam

e eleva-se para a claridade

indiferente a pragas e indecisões.

 

II

Acreditei um dia que ao cuidar dela

era de nós e de quanto nos unia que cuidava.

Se ela medrasse, o amor, em sintonia 

verdejava e certo seria despontar 

no tempo feliz das rosas.

E quando este fosse ausente

resistiria à invernia que

inevitavelmente vem no tempo de vir.

Se dava mostras de definhamento

aí, um sinal que nos alertava 

para alguma sede em nós 

a pedia água.


Penso algumas vezes ainda

nesta ideia indulgente e infantil

com um sorriso piedoso de troça.  


III

Quanto à buganvília 

que gentilmente me ofereceste

(esta ou outra?)

continuo a regá-la, a falar com ela

a encaminhar seus rebentos novos

quando os vejo à deriva sem saberem

para onde crescer.


Lídia Borges