I
Lá vai ela. Cresce,
estende folhinhas trémulas no ar
feliz de estar ali.
Celebra
as raízes que a suportam
e
eleva-se para a claridade
indiferente a pragas e indecisões.
Acreditei
um dia que ao cuidar dela
era de nós e de quanto nos unia que cuidava.
Se ela medrasse, o amor, em sintonia
verdejava e certo seria despontar
no tempo feliz das rosas.
E quando este fosse ausente
resistiria à invernia que
inevitavelmente vem no tempo de vir.
Se dava mostras de definhamento
aí, um sinal que nos alertava
para alguma sede em nós
a pedia água.
Penso algumas vezes ainda
nesta ideia indulgente e infantil
com um sorriso piedoso de troça.
III
Quanto à buganvília
que gentilmente me ofereceste
(esta ou outra?)
continuo
a regá-la, a falar com ela
a
encaminhar seus rebentos novos
quando os vejo à deriva sem saberem
para onde crescer.
Lídia Borges
