Semeio-te, sonho, nas
sílabas solares
desta sala iluminada onde
o tempo
dobrado ao lado da manta,
no sofá
nos propõe depor canseiras e cansaços.
Torna-se lúcida a
imaginação
E por isso o meu poema é tecido nas linhas
de talhar desacertos e inseguridades.
Em breve nada compensará o anseio da terra
no inconformismo das mãos.
Sabemo-lo.
Colhemos assim os últimos frutos do verão e
enganamo-nos
deliberadamente
quanto à doçura ressequida
da polpa,
uns procurando poupar os
outros
porque somos folhas de um só ramo
às portas do inverno.
Aprendemos juntos a
não chamar brisa
ao vento
destruidor que nos varre,
nos derruba, nos divide, nos engole.
Criamos uma frágil muralha de
invencibilidades
um mapa robusto de afetos sem fronteiras
no qual podemos deambular
sem medo de nos perdermos.
Lídia Borges (reeditado)
