sábado, 20 de novembro de 2021

Ária breve para alumiamento de sombras

Christian Schloevery


Semeio-te, sonho, nas sílabas solares

desta sala iluminada onde o tempo

dobrado ao lado da manta, no sofá

nos propõe depor canseiras e cansaços.

 

Torna-se lúcida a imaginação

E por isso o meu poema é tecido nas linhas    

de talhar desacertos e inseguridades.

 

Em breve nada compensará o anseio da terra

no inconformismo das mãos. 

Sabemo-lo.


Colhemos assim os últimos frutos do verão e

enganamo-nos deliberadamente

quanto à doçura ressequida da polpa,

uns procurando poupar os outros

porque somos folhas de um só ramo 

às portas do inverno.

 

Aprendemos juntos a não chamar brisa 

ao vento destruidor que nos varre,

nos derruba, nos divide, nos engole.

 

Criamos uma frágil muralha de invencibilidades

um mapa robusto de afetos sem fronteiras

no qual podemos deambular

sem medo de nos perdermos.


Lídia Borges (reeditado)