A expressão surgiu do nada
No fio do pensamento desatada:“Puxar os cordelinhos”.
Dito assim em primeira intenção
Devia ter melhor fama
Tão leveirinho é o som.
Parece coisa de criança
Um cordel, guita ou cordão
Que se enrola no pião
E é ver como ele dança
E de rodar não se cansa
Na palma de uma mão.
Minha avó guardava
Quantos cordelinhos apanhava
Vinham a atar os cartuchos
Do grão do açúcar da cevada.
Tricotava pegas de cozinha
Ali ninguém se queimava.
Mas “puxar os cordelinhos”
Neste tempo dá mau cheiro
Gesto feio, sorrateiro…
Conquanto tantos os que puxam
Como os que deixam puxar
Não sei de trovas ou guitarras
Sem as cordas repuxadas.
As pegas de minha avó,
Um pião a dançar só
São fios da minha memória
Que sempre haverei de puxar.
Já para os cordelinhos
Rebanhos em pasto vasto
Chamem outros, maneirinhos,
Que desses em asco me afasto.
Lídia Borges
