quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Niquices



[...]

Mas aparecem-te as palavras, despojadas,

impregnadas de um odor de urze e mato.

Precisam de sal precisam de forma

precisam de pão.

Que hás de fazer?

Lá vão elas, pólen a adejar.

As palavras são assim,

entidades estranhíssimas.

Fabricam niquices, às vezes,

às vezes, música de catedrais.


Lídia Borges, (2021), Que farei com este azul que me beija.