Um canto límpido
como que nos chama.
Melodioso e persistente eleva-se
acima dos sons correntes da hora
e eu que me queria surda
para as veleidades da alma
fico de súbito em estado de alerta.
Vou ver se descubro
entre as folhas que restam na macieira
o autor da serenata.
Lá está ele.
Custa a crer que o cristalino canto
possa vir de um tão miniatural
com peito rubro e voz de tenor.
Lídia Borges
