À Poesia nada dizem as razões do Vento.
Ainda que a queiram,
pensante, acutilante, mordaz,
horizontal ou oblíqua, metediça, seguidista,
aduladora, concisa... Parvoíce!
A poesia é um
peixe. Não escuta sermões.
É um peixe arremessado
para fora das águas correntes.
Os olhos abertos de espanto até à prata,
em sofrimento.
O modo como gera a água da salvação
em nada se parece à plúmbea erudição dos rios.
É tudo exasperação e
incoerência,
impressão, rotura, epílogo, imagens:
o trigo ainda é a grande
verdade do mundo.
que arrumação darás à palavra liberta?
De que alto protesto caíste, assim, de bruços na solidão?
Pensar, pense quem lê.
II
Se estou triste? Não.
Estou apenas perante palavras
sem destempero nenhum.
A Poesia já lhes voltou as
costas.
Vai-se, rodeando de perto os
plátanos.
De súbito, faz-se importante
o abandono das folhas.
Lídia Borges