I
Os poetas que amo
juntam aos anos sonhos e desilusões,
estrelas quebradas, iluminações,
audácias, tédios, euforias, ofícios.
Usam os sapatos cambados de mil andanças
e nos bolsos guardam berlindes,
caricas, cromos, desperdícios.
À mistura, há palavras soltas, versos rasurados
quadras, tercetos, sextilhas, poemas inacabados.
São adultos e são crianças, cada um na sua vez.
Só assim podem saber
o já visto do que é novo
e do que é velho, o esquecido,
o visto p'la segunda vez.
II
A Poesia pode até entardecer
tornar-se lago, lua, estrela em plena luz do dia
mas nunca afastar-se dos olhares da infância,
em demasia.
Lídia Borges
(imagem:Mikahil Batrak)