Nos ouvidos, inflamados estrondos,
dilatados gânglios de abrasivas otites.
Será que ensurdecemos?
De súbito, tudo se fez tão silente!
Diz-me: os pássaros
saltitam ainda nos ramos da magnólia, lá fora?
E as pétalas? Continuam róseas como ontem
ou entristeceram e cobrem já o solo escuro?
Diz-me: porque não se ouve a música
nas cordas do vento?
Onde, os latidos habituais dos cães?
Pálidos rostos. A água salgada a rasar as vozes
e a resistência dos braços estreitando crianças
contra o peito.
Agonizante a hora da separação.
Como saberão regressar
do terror, do inferno, do absurdo
os que puderem regressar?
"E as crianças senhor?"
Quem as devolve ao sono da cama quente
ao brinquedo preferido, à segurança
de um sorriso tranquilo de mãe?
Quem lhes limpará dos olhos inocentes
as sangrentas marcas da Besta.
Lídia
Borges