domingo, 6 de março de 2022

"Estranha forma de vida"

Amigo é a solidão derrotada!

Alexandre O’Neill



Estar com os amigos, de novo,

pede uma atualização das vozes, dos sentires

como se o tempo interposto, não um ano ou menos

mas um século ou mais.

É preciso consertar o entrelaçado da esteira

onde há muito não nos sentávamos juntos

e iguais.

  

Uma comoção qualquer, corpórea,

estala na garganta.

Fala-se da guerra, das guerras

das de hoje, das de outros tempos

da repetição azamboada dos tempos

Fala-se das vidas, das mortes, das distâncias,

das indiferenças, das idades.

 

De histórias antigas,

da evocação de quem as contava.

Lembranças fragmentadas 

que vêm como as cerejas

umas às outras agarradas.

Aqui e ali, silêncios

como nós no coração, apertados.

 

Levantados os copos - à Paz -

comovidos estorvos nas vozes.

E, crianças que sempre fomos,

voltamos aos poemas, às canções, 

ao riso, à lágrima, à vida emparedada 

entre tão triste tristeza e alegria tão rara.


Estranha forma de vida!


Lídia Borges