Amigo é a solidão derrotada!
Alexandre O’Neill
Estar com os amigos, de novo,
pede uma atualização das vozes, dos sentires
como se o tempo interposto, não um ano ou menos
mas um século ou mais.
É preciso consertar o entrelaçado da esteira
onde há muito não nos sentávamos juntos
e iguais.
Uma comoção qualquer, corpórea,
estala na garganta.
Fala-se da guerra, das guerras
das de hoje, das de outros tempos
da repetição azamboada dos tempos
Fala-se das vidas, das mortes, das distâncias,
das indiferenças, das idades.
De histórias antigas,
da evocação de quem as contava.
Lembranças fragmentadas
que vêm como as cerejas
umas às outras agarradas.
Aqui e ali, silêncios
como nós no coração, apertados.
Levantados os copos - à Paz -
comovidos estorvos nas vozes.
E, crianças que sempre fomos,
voltamos aos poemas, às canções,
ao riso, à lágrima, à vida emparedada
entre tão triste tristeza e alegria tão rara.
Estranha forma de vida!
Lídia Borges