Dás por ti a meio da
noite
acordado por uma tremenda discussão
de deuses.
Levantas-te em bicos
de pés
quando todas as vozes
já se acautelaram,
pressentindo-te em vigília.
Mal podes dar um passo,
espessas são as ruínas, no teu
pesadelo.
E no silêncio atroz ferve ainda a ira dos fortes.
É em sobressalto que
chegas ao real
e recuperas a palavra:
a esta hora gélida, debaixo
do chão…
a esta hora gélida, a fuga…
a esta hora gélida, a
morte…
Ainda que ninguém te
oiça,
maldizes os deuses e os
homens.
Divididos.
Maldizes seus jogos de horror,
suas monstruosas armas
secretas e cegas.
Lídia Borges