Lewis Carroll, in Alice no País das Maravilhas
São elegantes, secretos, subtis, silenciosos.
Sabem sempre quando a pessoa deles
necessita de cuidados.
Roçam-lhe as pernas, são afetuosos e delicados.
Acarinham.
Afastam-se educadamente
quando se sentem dispensáveis.
Olham-nos de um lugar longínquo
como se não compreendessem
a dolorosa consciência que temos de nós,
a efémera presença que somos
diante da sua suprema divindade.
Espantados, perguntamos, por vezes:
se pairam tão perto do chão,
por que os servimos,
por que os elevamos até
a altura de um verso sentido
de um poema?
Este gato, enrolado sobre os meus papéis
entra na minha vida pela porta do desprendimento.
Vem velar-me a paciência o silêncio a abstração.
Vem tocar-me com seu mistério sua sabedoria.
Sua perfeição.
Lídia Borges