O tema é a guerra. Qualquer tema, em tempo de guerra, é a guerra. Ela tem um modo de ser, de estar, de fazer, que deita por terra toda e qualquer construção que se pretenda erguer na cercadura da sua gadanha.
Hoje, dia em que Sebastião Alba completaria 82 anos, se estivesse entre nós, em corpo, leio-lhe os versos. Aparecem-me estes, novos como se nunca os tivesse lido:
“O limite diáfano”
Movo-me nos bastidores da poesia,
e coro se de leve a escuto.
Mas o pão de cada dia
à noite está consumido,
e a alvorada seguinte
banha as suas escórias.
Palco só o da minha morte,
se no leito!,
com seu asseio sem derrame...
O lado para que durmo
é um limite diáfano:
aí os versos espigam.
Isso me basta. Acordo
antes que a seara amadureça
e na extensão pairem,
de Van Gogh, os corvos.