Tomara que fossem só mariposas
a cruzar o silêncio.
Deixo que se espalhem como folhas os pardais
ou se encolham, assustados
quando os surpreendo a debicar o meu poema.
Traídos por ténues agitações
embrulham-se melosos, os pardais,
criam bruscas harmonias nos gorjeios.
Querem tocar-me com seu canto anoitecido.
Não sabem que fica noutro outono
a minha casa.
Lídia Borges
(imagem:s/ ind autoria)
