terça-feira, 11 de outubro de 2022

Bruma ou brisa

(pintura: Isaac Levitan)


Com uma candeia mergulhada no luto

das mãos

sem achar findo o caminho

percorro de fio a pavio o escuro

sob os pés.

 

Subitamente 

na memória uma chama se acende

a soletrar vagamente

a geometria incerta dos passos.

Por momentos, verso a verso,

reconheço a lisura da água

em que escrevo o teu nome.

 

Assim a partir de ti me reaprendo

me reconstruo

palavra transfigurada que se eleva

bruma ou brisa, mais que nunca

íntima do mar.


Lídia Borges