(pintura: Isaac Levitan)
Com uma candeia mergulhada
no luto
das mãos
sem achar findo o caminho
percorro de fio a pavio o
escuro
sob os pés.
Subitamente
na memória uma chama se acende
a soletrar vagamente
a geometria incerta dos passos.
Por momentos, verso a
verso,
reconheço a lisura da água
em que escrevo o teu nome.
Assim a partir de ti me
reaprendo
me reconstruo
palavra transfigurada que
se eleva
bruma ou brisa, mais que
nunca
íntima do mar.
Lídia Borges
