quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Vasco Gato

 

(pintura: Anne Packard)

Aqui o mar é sono perpétuo,

câmara para o mais terrível segredo.

Entro nele de mãos trémulas, certo

das minhas cedências. Recordo o sabor

salino de outras perdas, casas tombadas

das quais sou solitária ruína.

 

Eu, que tanto tenho dado à insónia,

Embebo-me agora nas águas de outro dialecto

 

- as palavras falham, e essa é a comunicação.


Vasco Gato, in (2011), Golpe d'asa (revista de Poesia)