(pintura: Anne Packard)
Aqui o mar é
sono perpétuo,
câmara para o
mais terrível segredo.
Entro nele de
mãos trémulas, certo
das minhas
cedências. Recordo o sabor
salino de
outras perdas, casas tombadas
das quais sou
solitária ruína.
Eu, que tanto
tenho dado à insónia,
Embebo-me agora
nas águas de outro dialecto
- as palavras
falham, e essa é a comunicação.
Vasco Gato, in (2011), Golpe d'asa (revista de Poesia)
