É claro que mais queria estar à beira-rio,
ver a água correr cheia de alegres meninices
o caudal ainda ontem quedo e seco
hoje pujante até à inquietação das margens.
É claro que mais queria estar à beira-rio,
ver os plátanos, seus braços longos
afadigados, a colher indizíveis colorações
como pássaros
felizes de haver beleza em tardes tristes.
É claro que mais queria estar à
beira-rio,
mas estou aqui nas linhas deste poema
por onde não passas,
por onde não passa
ninguém
a exaltar a beleza de tardes de chuva
escuras e vazias.
Lídia Borges (29/10/2022)
(imagem: pinterest)
