sábado, 29 de outubro de 2022

Chuva


 

É claro que mais queria estar à beira-rio,

ver a água correr cheia de alegres meninices

o caudal ainda ontem quedo e seco

hoje pujante até à inquietação das margens.

 

É claro que mais queria estar à beira-rio,

ver os plátanos, seus braços longos

afadigados, a colher indizíveis colorações 

como pássaros

felizes de haver beleza em tardes tristes.

 

É claro que mais queria estar à beira-rio,

mas estou aqui nas linhas deste poema

por onde não passas, 

por onde não passa ninguém

a exaltar a beleza de tardes de chuva

escuras e vazias.

 


Lídia Borges (29/10/2022)

(imagem: pinterest)