Escrevo Mar. Depois vêm os leitores ler
azul coral maresia princípio viagem fim.
Depois, outros leitores, maremoto tornado
crude asfixia naufrágio sujeira morte.
Cada um, cozinha o texto segundo
o sal o mel o fel que reservou
na despensa clara ou obscura das suas veias.
Talvez o leitor gostasse de saber
no que penso quando escrevo mar.
Bem vê, caríssimo leitor,
se lho dissesse privá-lo-ia
da sua participação no acto de mergulhar
no mar.
Faria de si o sujeito seco e passivo
que por certo não quereria ser.
Longe de mim levar a cabo uma tal malfeitoria.
Lídia Borges
(imagem: pesquisa Google s/ind. autoria)
